Escrevi sobre a nossa experiência aqui em Portugal, sobre a amizade com os portugueses, mas ressaltei que, sim, existem também problemas na relação luso-brasileira. Desde 2017, quando aumentou a onda migratória de brasileiros para terras lusitanas, o número de queixas registradas por xenofobia cresceu 433%, segundo dados da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial (CICDR), órgão ligado ao governo.
Hoje, nas redes sociais, tem uma publicação sobre a terceira edição do Dia do Brasil, o evento será no sábado em um parque de Braga e, neste ano, além de exaltar a cultura brasileira, também vai celebrar os 200 anos da nossa independência. Abri a publicação, e os comentários chamaram a minha atenção: portugueses que acham um absurdo um evento brasileiro aqui, com palavras até ofensivas; e portugueses que concordam que cada povo deve celebrar as suas raízes onde quer que esteja.
O Dia do Brasil é organizado pela Associação UAI – União, Apoio e Integração, coordenada pela mineira Alexandra Gomide e que oferece ajuda e acolhimento aos imigrantes. Alexandra conta que a associação também tem o objetivo de mostrar a diversidade da cultura do nosso país, mostrar quem são as pessoas que aqui estão e integrar as comunidades. À frente da UAI há 4 anos, a mineira comenta que as atitudes já mudaram e que a relação vem melhorando a cada dia. Em tom de humor, falou que os portugueses que frequentam os eventos, depois de experimentar a nossa gastronomia, viram fãs. Entre as coisas que mais fazem sucesso estão as coxinhas de galinha, a caipirinha e o pão de queijo. Eu tenho certeza que todos também adoram churrasco!
Os gaúchos estarão representados no evento e, além da carne no espeto, também vão mostrar, claro, o que é o chimarrão. Serão 18 barracas temáticas com produtos brasileiros, sendo nove com cultura e gastronomia regionais. Além do Rio Grande do Sul terá, por exemplo, barraca da Bahia com acarajé e do Rio de Janeiro com caipirinha. A ideia é mostrar a riqueza do país verde amarelo, através da culinária e também da cultura. Estão previstas aulas de dança, shows musicais e muitas atrações.
Mas voltando ao assunto do preconceito, entristece-me os comentários de alguns o portugueses, porque eles estão entre as nacionalidades que mais emigram. Segundo o Relatório da Emigração, elaborado no ano passado pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, na última década saiu do país, via emigração, 10% da população residente de nacionalidade portuguesa. E tenho certeza de que todos que migram para outros locais – seja por questões de trabalho ou em busca de mais qualidade de vida -, querem ser bem tratados na nova casa. Por isso, o respeito é fundamental em qualquer lugar do mundo, entre pessoas de qualquer nacionalidade.